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Meus ossos

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Temos linhagem diferente, mas a mesma origem, basta olhar com atenção para notar que pertencemos à mesma família.

A minha formação é menos rica que a de minhas irmãs: reserva de minerais, principalmente cálcio e fósforo, mas também partículas de potássio, magnésio, citrato e sódio.

A delas, em compensação, é rica em minério de vários tipos e o que predomina é o cobre e o ferro, além do manganês, do zinco, chumbo, prata, o que deixa veios de sedimentação bem definidas nas cores vermelho, amarelo, marrom, verde....

Eu sofro a erosão do tempo, das cargas que sustentei na vida, das secas e inundações, terremotos e tempestades, do sol desalmado ou do inverno funesto e, por conta disso,  não posso afirmar que tenha embelezado com o passar dos anos.

Elas por sua vez, expostas ao vento, à chuva, a enchentes, a rios que não param de cavar seus leitos deixando sulcos profundos nas suas carnes ou sofrendo com o impacto de movimentos subterrâneos, tornam-se cada vez mais belas, mais imponentes.

Tenho certeza de que os deuses habitam seus cumes altíssimos e de lá me olham com compaixão.

Só me resta colocar as mãos em prece e agradecer o presente que recebi: a capacidade de apreciar a grandeza de minhas irmãs.


     

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