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Coloquei minha vida toda dentro do casamento; quando acabou, fiquei sem nada

Sylvia Responde| Views: 53

Hoje publico a carta de uma leitora, um depoimento pessoal.

Prezada Sylvia,

Tenho acompanhado suas publicações. As consultas que chegam, com tantas interrogações difíceis de resolver, falam de questões emocionais que nos atingem a todos, homens e mulheres. Suas respostas me fazem repensar o que nós, meninas, aprendemos desde cedo.

Cresci achando que sendo uma mulher casada, minha vida estaria completa, marido e filhos. Ilusão que rapidamente se desfez, apesar de meu marido, ao menos no início, mostrar-se amoroso. Depois de um tempo, fui eu que comecei a sentir uma leve insatisfação. Os filhos me ocuparam bastante, acho que fui uma boa mãe, mas estava faltando algo mais. Não tinha tempo para mim, os afazeres da casa, o cuidado dos filhos, a atenção com o marido. E eu? E minha amigas? Tinha vontade de sair um pouco, ver outras coisas além do que estava vivendo. Meu marido foi ficando mais distante, pois não tínhamos tempo para namorar. Namorar requer tempo, encanto, conversas… Não tínhamos tempo. Nossos encontros sexuais eram rápidos, pois ele estava cansado e eu também.

Então aconteceu o inevitável: ele arrumou uma amante para viver com ela o que eu gostaria de viver com ele. Separamos. Não vou entrar nesse detalhe tão sofrido. Os filhos são adolescentes e bastante egoístas, a gente já sabe. Conclusão: o que fiz de minha vida? Não tenho amigas, apenas conhecidas; não desenvolvi nenhum outro interesse, não pertenço a nenhum grupo que possa me enriquecer emocionalmente.

Frequento a igreja, sou temente a Deus, isso ajuda, mas não é o suficiente, principalmente porque as pessoas de lá pensam o que eu pensava há 20 anos: o casamento salva!

Vejo mulheres infelizes em seus relacionamentos. O casamento não salva a vida de ninguém apesar de ser um acontecimento maravilhoso, mas não é tudo. Eu coloquei tudo dentro dessa relação e quando acabou fiquei sem nada, a não ser lembranças, boas e amargas.

Lembranças são alimentos insuficientes quando não se tem uma vida preenchida por interesses.

Esse é o meu desafio agora, pois nada jamais continua, tudo vai recomeçar.

Difícil? Sem dúvida.

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