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Pela manhã

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Fosforescente, o corpo, uma bolha transparente que se matizava do verde ao roxo, passando pelo rosa, pela púrpura, pela cor do céu, e depois novamente ao lilás, com laivos de prata nas bordas. Filamentos dourados e sedosos saiam de seu corpo, cabeleira necessária, proteção contra predadores. Refletia as nuvens que se moviam velozes tocadas pelo vento, refletia as ondas que se quebravam em seu corpo espalhando espuma cor de pérola. O mar batia, as ondas a empurravam para fora e depois a sugavam, engolfando para em seguida expulsar novamente, numa brincadeira cruel de leva e traz, ameaça e proteção. O mar se divertia. Quis ajudar, peguei um chumaço de alga, embrulhei-a nele, e a devolvi à água, quase sem vida. Ela estufou, os cristais da borda reluziram, mas o mar a expulsou novamente. Foram várias as tentativas. A cada vez que chegava na areia, murchava, perdia as cores, a prata mais opaca. Empurrei de novo e várias vezes mais, não queria deixá-la morrer. Cada vez mais débil, cada vez mais ferida, a película do corpo, arranhada. Cansado da brincadeira, o mar levantou-se numa onda violenta e me arrastou. Antes que eu perdesse a visão da praia, pude ver que ela foi jogada na areia calcinada pelo sol.

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